| |
| |
| |
A
TV COMO VÍCIO PREDILETO
|
Há pessoas que passam horas grudadas na TV, vendo programas de
auditório, o cotidiano de pessoas confinadas numa casa e até mesmo
entrevistas que nada acrescentam ao nosso cotidiano, pois a maioria
fala da vida privada do entrevistado, que em nada nos acrescenta,
pois mesmo que quiséssemos copiar a vida do outro, não daria
certo. Afinal, somos diferentes uns dos outros.
Pesquisas indicam que o brasileiro passa na média de 4 horas ao dia
em frente a TV. Se pensarmos num sujeito comum, que trabalha 8 horas
ao dia, dorme 8 horas e assiste TV 4 horas, sobram apenas 4 horas
para alimentar-se, locomover-se da casa para o trabalho, arrumar a
casa, fazer a higiene pessoal, ficar com a família... isso sem
falar no então restrito lazer. |
|
|
Na
verdade, hoje a TV não está na nossa vida como elemento benéfico,
mas para preencher lacunas de uma vida espiritual pobre e de
certo modo desinteressante. |
|
|
|
|
|
A TV, que as pessoas dizem assistir para se “desestressar”,
enfatiza as notícias de violência e as brigas entre os que vivem
enclausurados sob os holofotes, gerando momentos alternados de angústia
e relax. Certa vez eu conheci uma telefonista que trabalhava a noite
no Rio de Janeiro e, como se sentia exposta a violência por estar
próximo a porta de entrada, desenvolveu o gosto por filmes de
terror. O medo provocado pela telinha na sua mesa de trabalho passou
a ser maior que o medo da violência carioca.
A TV é uma ilusão, seja pelas beldades que apresenta, seja pela
suposta sensação de bem-estar que esperamos ao ligar a TV. Para
muitos é um remédio para a solidão. É comum as pessoas que estão
sozinhas em casa ligarem a TV, mesmo sem assistir um programa específico:
o som e a imagem são associados a companhia. Não é uma ilusão?
|
|
|
Na
verdade, hoje a TV não está na nossa vida como elemento benéfico,
mas para preencher lacunas de uma vida espiritual pobre e de certo
modo desinteressante. Além disso, o tempo dedicado a apertar
repetidamente os botões do controle remoto permite com que o
telespectador não se sinta constrangido pela falta de assunto com
os filhos, a esposa, o marido e aqueles que convivem com ele.
|
Dizem que é uma
forma de passar o tempo. Só não podemos esquecer que o tempo
é uma forma de energia e, se não o aproveitarmos, essa
energia se perde... passa, não se recupera. Assim, a TV
ocupou o lugar da convivência estreita e tornou-se uma válvula
de escape para deixar a conversa para mais tarde, a qual não
se recupera na mesma qualidade. |
Há os que deixam de ler, de
sair com os amigos e de usufruir de outras opções para o lazer
porque todas as noites assistem determinado programa. A troca da
vida social por horas em frente a TV não relaxa e não possibilita
momentos de reflexão, pois a diversidade de estímulos (visuais,
auditivos, de luz...), absorve a energia, traz muitas informações
com pouca absorção e cansa o telespectador. Há aqueles que não
conseguem dormir sem a TV ligada. Seguramente este não é um número
insignificante de telespectadores, senão as empresas não
inventariam uma TV programável para auto-desligar-se.
|
|
Por outro lado, não podemos delegar a TV a causa da alienação, da
falta de comunicação intra-familiar e de tantos outros problemas
que vivemos na intimidade. Afinal há canais (infelizmente a maioria
a cabo) que são educativos e um bom entretenimento. Assista a sua
TV e avalie se é divertido ou não serve para nada. Avalie se a TV
impede que em casa se converse sobre o dia e haja troca de idéias.
Perceba se ela não está disfarçando problemas de convivência e
proponha algo diferente quando um programa ou filme não desperta
interesse (em geral permanecemos lá, sentados para “ver se
melhora” na próxima cena). Assista a sua TV, mas tome consciência
de quando o hábito for longe demais e não permitir experimentar
outras formas de entretenimento. O que preocupa é o exagero. |
|
|
|
|