Quando precisamos olhar para a tristeza...

 
 

Quando precisamos olhar para a tristeza...

Estamos no inverno. Neste imenso Brasil ele se manifesta de diferentes formas: frio, chuva, dias encobertos, umidade, dias mais curtos, vento, sol fraco. Ficamos mais em casa, dormimos com portas e janelas fechadas, abolimos os encontros na praia e, quiçá, adiamos mais uma vez a prática de exercícios, a visita aos amigos, o passeio no parque.

O inverno convida ao recolhimento e, mais que uma reação física ao clima, ele propicia uma volta de cada um para dentro de si, lançando um olhar para o que trazemos no fundo do peito. A percepção freqüentemente é de sentimentos vividos de forma inconstante, principalmente no que tange a alegria e a tristeza. Com a alegria lidamos bem, mas a tristeza nos assusta. Esquecemos que, apesar de nada prazerosa, ela é um sentimento natural e pode ser veículo de crescimento.

A tristeza traz dor e quando dói paramos para nos pensar. Diz o budismo que a dor é veículo de consciência, pois através dela ficamos mais introspectivos e nos permitimos rever atitudes, objetivos e formas de ser. Sentir-se cabisbaixo um sentimento natural quando os acontecimentos não correspondem as nossas expectativas (falência de um casamento, por ex.) ou quando há perdas importantes (como a morte e a perda de emprego).

Quando os aborrecimentos são contornáveis, não causam prejuízo no trabalho ou nas relações interpessoais. Neste caso, o tédio é apenas um sinal de alarme de que algo não vai bem e esta percepção pode ser uma oportunidade de exercer mudanças. Esse momento pode ser compreendido mais facilmente partilhando as coisas que nos afligem com alguém de nossas relações ou com um profissional de saúde mental.


A tristeza traz dor e quando dói paramos para nos pensar. A dor é veículo de consciência... um sinal de alarme de que algo não vai bem e esta percepção pode ser uma oportunidade de exercer mudanças.


 

A tristeza merece uma atenção especial quando o desalento não consegue ser vencido e não conseguimos ter prazer em diversos aspectos da nossa vida por longo período e sem motivo aparente. Nesse caso é necessário buscar um profissional (psicólogo ou psiquiatra) para avaliar uma possível depressão.

No quadro depressivo o motivo da tristeza já está distante ou não corresponde a dimensão da apatia vivida no momento. Pode gerar também alterações no sono, baixa no desempenho cotidiano, alterações do apetite, auto-estima reduzida, irritabilidade, isolamento, vontade de chorar, uso de substâncias psicoativas (álcool e outras drogas), idéias suicidas.

Freqüentemente a pessoa deprimida sente-se um peso para os outros e não procura ajuda. Cabe a um colega de trabalho, a um familiar, ao chefe, perceber as mudanças de humor e estar disponível a auxiliar (conversando, chamando um familiar, um profissional ou setor específico na empresa). O importante é não sair rotulando a pessoa de louca ou incapaz, e perceber que em alguma passagem da vida, todo mundo já precisou ou precisará de ajuda em maior ou menor grau.

Há pessoas que se entristecem, outras que se deprimem e há as que se ressentem também pela falta do sol brilhante e respondem ao inverno com desânimo e reclusão.

        Os ciclos de ganhos e perdas, de sol e de chuva, de frio e calor são constantes na natureza e na nossa vida. Que possamos aprender com eles e aproveitar esse período de recolhimento para lançar um outro olhar à nossas vidas, plantar novas sementes e germinar na primavera!

 

Vera Regina Sebben