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Na semana passada, circulando pela
cidade, me deparei com várias pessoas se queixando de frio. Não
pessoas em dificuldades de agasalho, mas insatisfeitas com o nosso
clima.
Estamos no inverno. Tem que fazer
frio. E vai fazer frio. Se assim não for, trará desconforto pelo
desequilíbrio climático, como tem acontecido.
A vida moderna perdeu a conexão com a
natureza, mas sabemos que as estações exercem uma força sobre nós. O
inverno é a mais profunda das estações e traz uma sensação térmica
de, como se diz, “frio de doer os ossos”. É! O inverno pode doer!
A sua luminosidade mais amena, suas
baixas temperaturas, seus ventos e chuvas interferem no nosso estado
de ânimo e como ele remete à escuridão, ao recolhimento, aflora
também certas tendências a depressão, a tristeza, a melancolia...
O inverno traz as sua belezas e temos
que aproveitar o que ele tem a oferecer.
É a estação da profundidade, que pode
ser vivida como isolamento e dor ou na sua potência de forma
positiva. Para tal é necessário não nos identificarmos com o frio.
Faz frio sim, mas não somos o frio. O frio está fora, no
ambiente e precisamos nos proteger, mas não viver a vida em torno
dele. A vida continua, apesar do frio. E seguirá para além do frio.
No inverno há uma mudança de ritmo de
toda a natureza e conosco não é diferente. Mudar o ritmo é mudar o
movimento, mas seguir em movimento. Afinal, a vida não pára!
Se buscamos a beleza em outras
estações, porque não fazer o mesmo com o inverno? É a estação das
portas fechadas, do recolhimento, do voltar-se para dentro. Aspectos
que podem ser oportunidades: de aproveitar as portas fechadas e
reunir pessoas num ambiente; ao redor do fogão a lenha, numa roda de
chimarrão, num momento íntimo. Talvez a oportunidade de conversar
com alguém, de compartilhar suas intimidades, de iniciar uma
psicoterapia e compreender os seus movimentos?
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