Por
vezes o presente vem como um desejo de aproximação e como pretenso
“substituto” de todo nosso carinho. Traduzimos num objeto, de forma
concreta, tudo o que temos de mais subjetivo: o toque, a palavra, o
olhar especial, o momento a ser vivido a dois... Isso denota alguma
dificuldade de relacionamento e pode gerar ainda mais problemas:
sentimento de vazio, avaliação dos valores materiais dos presentes,
etc. A intenção do presente é então gerar uma ilusão de bem-estar.
E talvez mais tarde, cobrar pelo valor do presente que nos endividou!
Vivemos num mundo extremamente materialista. Nos identificamos pelo o
que temos e não pelo o que somos. Platão, um grande filósofo grego,
dizia que não podemos nos vestir de outra coisa senão das nossas próprias
virtudes e as manifestações mais sublimes da alma. O mundo moderno tem
esquecido disso, ou tem escondido no mais íntimo do ser o que cada um
tem de melhor. Tão íntimo que às vezes não sabemos das nossas
virtudes e o máximo que conseguimos é materializar os nossos
sentimentos em forma de presentes. Presentear então se tornou uma
convenção social por vezes mais valorizada que um abraço. O afeto
tomou forma. E esta forma um valor monetário.
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O
presente é uma forma de manifestação de afeto, de mostrarmos
como enxergamos a outra pessoa e o que desejamos a ela. |
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Muitas vezes nos sentimos realmente motivados em presentear aquele que
nos acompanha lado a lado. Presenteamos voluntariamente quando temos
algum vínculo e queremos fortalece-lo. Aí não importa o valor do
presente, mas que ele seja uma personificação nossa e então tenha
“vida” e toque o íntimo da pessoa. Normalmente este presente vem
acompanhado de um olhar, de um abraço, de algumas palavras...
A data está aí e a oferta de presentes é imensa. Aproveite para
brindar os laços que se construíram e estar juntos. Escolha, com todo
o carinho aquele presente que vem colado de intenção e de símbolos
que a data convida.
E se não tiver presente, esteja “presente” com a esposa, marido,
namorado/a ou aquele que lhe possibilite manifestar com um abraço, uma
palavra (ou um presente) o seu lado mais bonito.
Vera
Regina Sebben
Publicado na
edição de junho/2005