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A beleza também atrapalha nos relacionamentos, principalmente
quando se trata de mulheres, que em geral são mais detalhistas e se
sentem ameaçadas com a beleza alheia. Tanto a exuberância quando
ou o se sentir diminuída, gera um afastamento dentro de um jogo de
poder onde impera as vaidades.
Trabalhei
muito tempo com modelos, pessoas “gente como a gente” e que,
apesar da exímia beleza, a cada seleção para um trabalho
(desfile, fotos..) sofrem por ter barba cerrada, 2 cm a menos ou
qualquer outro quesito que não possibilita em dado momento ser a
pessoa mais bela. Nessas horas é difícil manter a auto-estima,
pois todos os valores estão colocados num biótipo, que neste
momento não é favorável. Assim os modelos passam a ser adversários,
o ambiente fica pesado e trabalhar no mundo da moda torna-se uma
batalha muito competitiva e difícil de suportar. Aí vem o stress,
a depressão, o transtorno alimentar, a insegurança e o sofrimento
psíquico intenso.
Um
outro aspecto que a beleza interfere diretamente é sobre a idade.
Se passamos a vida inteira dedicada ao corpo, a beleza física e
vivemos numa sociedade onde a beleza está colocada na juventude,
como ficamos quando a idade chega?
Precisamos
descobrir onde está a nossa beleza. Será que não vale a pena
resgatar algo de belo que seja mais duradouro? A verdadeira beleza
é uma manifestação, é um jeito de ser, de se portar. É a
expressão de valores de alma, que torna agradável ao olhar, mesmo
quando fora dos padrões de beleza. Que conquista não por ser um
modelo, mas por mostrar fora o que temos dentro. A beleza humana!
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