Com um pé no oriente

Desde os anos 70, quando o movimento hippie interagiu mais de perto com as culturas orientais, as filosofias de vida destes vem ganhando cada vez mais adeptos no ocidente. Dizem que o número de ocidentais que busca na milenar sabedoria oriental cresce cerca de 100% ao ano desde a virada do século XX.

Diferente de 30 anos atrás, que foi um movimento do jovem e de contra-cultura, a busca atual pelas religiões, medicina, ioga e práticas para purificar a mente e alimentar a alma, tem como público pessoas que querem uma vida melhor sem rechaço a vida moderna ocidental. São workaholics, céticos, empresários, donas de casa, cientistas, enfim, pessoas de todas as idades, classes sociais e de diferentes profissões.

 

 No ocidente moderno, técnicas orientais ganharam uma versão mais amena, adaptadas à realidade local... não impõe normas nem exigem mudanças de vida, embora haja transformações naturais a medida que o sujeito estabelece uma outra forma de relação consigo e com o mundo que o cerca.

 

 

       

A aproximação das doutrinas orientais se dá pela busca de melhor qualidade de vida de pessoas que vivem frente a estímulos em alta potência e aos desequilíbrios do ambiente, pressionadas a serem ainda mais competente nas suas ações. E como ser competente e obter sucesso se não há uma certa harmonia interna, uma vida que se propõe também a descobrir quem somos, quais nossas habilidades, competências e o que nos faz feliz? Freqüentemente pessoas estressadas, com sintomas de dores de cabeça, nas costas, desequilíbrios hormonais e desenvolvendo algumas doenças da modernidade, como solidão, pânico, etc são as mesmas que apostam muito (ou tudo) em conquistas externas, como dinheiro e sucesso, a casa, a escola do filho... e esquecem de cuidar do seu mundo interno. Chega um ponto que, apesar de conquistas, sentem-se infelizes e com um vazio interno. Questionam o que vale a pena e aí recorrem às filosofias orientais na busca de um sentido para a vida.

As filosofias do oriente propõe à cura do corpo, acalmar a mente e elevar a alma por meio de técnicas corporais e energéticas, de concentração, meditação, mentalização, exercícios e práticas de vida. O foco é o homem em harmonia consigo mesmo e por conseqüência com toda a natureza, já que ele faz parte da natureza.

No ocidente moderno, técnicas orientais ganharam uma versão mais amena, adaptadas a realidade local, onde muitas vezes não estão presentes os templos, as vestimentas especiais e as práticas vividas coletivamente (como as artes marciais praticadas nos parques pela manhã). Muitas privações e ritos do cotidiano foram abolidos. Sua prática propõe desenvolver algumas virtudes, costumes e habilidades, não impõe normas nem exige mudanças de vida, embora haja transformações naturais à medida que o sujeito estabelece uma outra forma de relação consigo e com o mundo que o cerca.

E na sua forma mais modernizada, ganha cada vez mais adeptos, que revelam um incontestável impacto positivo sobre a sua saúde e bem-viver: os depoimentos são de pessoas que se sentem mais corajosas e confiantes, aumentam sua produtividade no trabalho, desenvolvem maior habilidade de relações com as pessoas, são mais saudáveis e tornam-se pessoas melhores à medida que encaram a vida de outra forma.

Nós ocidentais somos pragmáticos. Não temos a paciência milenar dos orientais e tampouco somos habituados a reflexões profundas acerca de nós mesmos. Alegamos que falta tempo para isso e por vezes insistimos no erro da superficialidade nos cercando de objetos orientais, religiosos e místicos, na esperança que eles nos façam mais felizes. A potência não está nos objetos, mas numa reforma íntima. Os orientais dizem que a felicidade está dentro de cada um de nós e os objetos em torno podem apenas nos recordar o que estamos buscando: nós mesmos.

Vera Regina Sebben (Setembro/2005)